Nacional-Espiritualismo

Utilidade pública precede individual

Conversando sobre Martin Heidegger – Parte 1

Martin Heidegger nasceu em 26 de setembro de 1889, em Meßkirch, Alemanha, filho de um mestre tanoeiro e sacristão. Após a conclusão do ensino médio. ele iniciou seus estudos de teologia em 1909, na Universidade de Freiburg, região de Breisgau. Ele contou para isso com o apoio da Igreja Católica. Sua vocação inicial foi o sacerdócio. Em 1911, ele trocara-o pela filosofia. No ano de sua habilitação para professor universitário, ele prestou seu serviço militar na Primeira Guerra Mundial.

Em 1917, ele casou com Elfriede Petri. Após o final da guerra, Heidegger obteve uma colocação como assistente de Edmund Husserl na Universidade de Freiburg, cuja ideia da Fenomenologia, Heidegger se ocupara criticamente. Em 1927, apareceu a principal obra de Heidegger denominada Ser e Tempo. Logo depois ele se tornou sucessor de Husserl e já alcançara fama para além das fronteiras alemãs.

O filósofo apoiou a política dos nacional-socialistas sob Adolf Hitler. Na tomada do poder em janeiro de 1933, ele se tornou membro do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores alemães (NSDAP). Ele esperava do partido um novo começo. No mesmo ano ele se tornou reitor da Universidade de Freiburg. Posteriormente surgiram diferenças com o Estado Nacional-Socialista: ele rejeitou a Questão Racial e outros pontos da ideologia Nacional-Socialista. Sendo assim, ele renunciou ao cargo de reitor e se dedicou exclusivamente à filosofia.

Após o final da guerra, Heidegger teve negada sua atuação como professor. Em 1949 ele discursou publicamente sobre sua crítica contra a técnica e ciência. Este discurso levou o título de “Espiada naquilo que é”. No ano seguinte, 1950, o filósofo teve permissão para retornar ao magistério. Ele promovia seminários na Universidade de Freiburg. Mesmo a partir de 1952, após se tornar professor emérito, Heidegger continuou a promover seus seminários até 1967.

Martin Heidegger faleceu em 26 de maio de 1976, em Freiburg.

Angelika Willig, nascida em 1963 em Göttingen, estudou filosofia e literatura alemã em Freiburg e Munique. Ela se ocupou com o tema “Heidegger e o Nacional-Socialismo” desde a publicação do livro denunciante de Victor Farias, em 1986, e escreveu finalmente sua tese de doutorado sobre Martin Heidegger e Karl Jaspers, ambos filósofos existencialistas alemães.

Após os estudos, atuou como redatora sobre cultura no jornal semanal “Junge Freiheit” e desde 2004 é correspondente do “Nation & Europa”, “Deutsche Stimme”, “Neue Ordnung” (Graz), “Umwelt & Aktiv” e autora regular de artigos na página de nosso partido.

Der III. Weg: Martin Heidegger – denominado por Rüdiger Safranski como “um mestre da Alemanha”, por outros como o “Mágico de Meßkirch” – é um dos mais importantes, senão também um dos mais difíceis filósofos alemães. Você poderia talvez resumir brevemente para os leigos em filosofia, onde se baseia o pensamento de Heidegger?

Angelika Willig: Primeiramente devemos nos perguntar por que queremos entender Heidegger, e o que nos leva às indagações filosóficas. Seria talvez apenas um respeito condicionado perante às “bagagens culturais”? Seriam estas chamadas bagagens culturais, incluindo Hegel ou Heidegger, não apenas nomes com os quais queremos nos ornamentar ou exibir como ornamento, mas que na realidade – na vida prática e em situações adversas – em nada ajudam, e no fundo nada significam para nós?

Da mesma forma Heidegger argumentou a si mesmo, quando teriam perguntado a ele sobre o conteúdo de seu pensamento. Ele era muito cético diante das instituições de ensino e também frente às classes educadas. A seus olhos, o pensamento mais claro tinha um camponês que nada sabia de filosofia. Todavia, tais presunçosos ignorantes quase não existem mais. Todos nós catamos as ideias de nossa época e falamos sobre coisas das quais nada sabemos. Por isso precisa-se da filosofia, para desvendar essa “conversa” e se ocupar seriamente com a verdade. “Questionar” é a palavra preferida de Heidegger. Em sua fase posterior, mais contemplativa, ele até denominou o perguntar como “a piedade do pensamento”.

O jovem Heidegger forneceu também em sua obra principal “Ser e Tempo”, de 1927, disposições substantivas sobre o ser humano e o mundo. A dificuldade reside na terminologia utilizada, que também aparece nas obras de outros filósofos. Justamente nos filósofos alemães – Kant, Hegel, Schelling – são todos bastante “difíceis”. Para fornecer um pequeno aperitivo, segue um parágrafo original do “Ser e Tempo”: “A unidade do esquema horizontal do futuro, do ter-sido (Gewesenheit) e presente, fundamenta-se na unidade ekstática da temporalidade. O horizonte de toda a temporalidade determina aquilo sobre o qual, o que existe de fato se compreende em sua essência”. Como podemos ver, o livro exige um certo conhecimento prévio.

O que resulta quando tornamos o todo inteligível? Resumindo, “Ser e Tempo” é a própria declaração de capitulação do ser humano. O desejo de querer reconhecer, poder explicar e determinar tudo, é refutado em sua base, o senhor do mundo é destronado e está declarada a submissão diante das forças “existência” e “temporalidade” assim como “ser lançado” e “ser para morrer”. Isso vai contra o idealismo burguês assim como contra o marxismo e também contra as confissões cristãs. Todas as três pregam a redenção, o que Heidegger nega orgulhosamente às pessoas. A posição exigida por ele chama-se “determinação” diante da respectiva situação.

Der III. Weg: A obra filosófica de Heidegger se apresenta talvez grosseiramente em diversas fases. Primeiramente sua ocupação com a Fenomenologia, depois sua visão sobre Metafísica, seguido da crítica da filosofia ocidental e finalmente a crítica da técnica. Primeiro, o que é Fenomenologia e como ela influenciou Heidegger?

Angelika Willig: A Fenomenologia é uma direção filosófica que apareceu no ano de 1900. Heidegger se apegou a ela, após seu doutorado, e se habilitou junto ao mais importante fenomenologo, Edmund Husserl. Fenomenologia significa em sua essência, que consideremos as coisas como elas são percebidas e não a percepção leva de volta ao seu aparato sensorial e mental, como é o caso da anterior filosofia transcendental. Esta complicada diferença afeta claramente quando analisamos novamente o “Ser e Tempo” de Heidegger. Ele utiliza o método fenomenológico (descritivo) na consideração da vida humana e rejeita desde o início a objeção pseudo filosófica, “que não podemos saber nada sobre nós, pois estamos sempre dentro de nossa pele”. A Fenomenologia trava a reflexão e chegamos “nas próprias coisas”.

Der III. Weg: A Metafísica é a área onde Heidegger se tornou mais conhecido. Também sua obra “Ser e Tempo” é uma parte dela. Mas o que é Metafísica e por que foi tão importante para Heidegger?

Angelika Willig: Dois anos após escrever o “Ser e Tempo, Heidegger escreveu um livro intitulado “Kant e o problema da Metafísica”. Kat teria supostamente esgotado a Metafísica e deixado claro quais coisas o ser humano não podia reconhecer e onde ele não deveria especular. Esta é a moderna posição desde o século XIII. Heidegger não se deu por satisfeito com isso. Através de sua existência, as pessoas sempre esbarraram no desconhecido e no sobrenatural, e aqui se baseia seu real interesse para além da ciência. Isso pode ser denominado novamente Metafísica. Mas Heidegger também utiliza a palavra de forma negativa, como construção filosófica que quer transmitir segurança, onde não há segurança. Ele exige o “se soltar para o nada, quer dizer, se libertar dos ídolos que cada um possui, e para os quais costumamos fugir em busca de consolo”. De forma alguma Heidegger considera a Metafísica um lema, isso seria “pensar”, “indagar”, “ser”, “idioma” – aliás, nunca palavras estrangeiras.

Der III. Weg: Mas justamente a atuação de Heidegger na revolução nacional-socialista de 1933 foi cunhada pela sua Metafísica. Para ele, se deu menos por motivação nacionalista ou social sua adesão ao partido NSDAP e a transformação da Universidade de Freiburg segundo o padrão nacional-socialista; para ele foi a tomada de poder uma revolução coletiva metafísica. Ele comparou a vitória do NSDAP à libertação no contexto da alegoria da caverna de Platão, mas transferida a todo um povo. Como Heidegger imaginava esta revolução metafísica e o que ele entendia sobre ela?

Angelika Willig: Frequentemente é citada uma frase de Heidegger originária desta época: “Nem dogmas e ‘ideias’ são as regras do seu ser. O próprio Führer e apenas ele é a realidade presente e futura e sua lei”. Disto deixa-se concluir que o filósofo não tinha uma determinada posição, e muito menos uma posição filosófica ou metafísica sobre a revolução nacional-socialista, mas a considerou como um acontecimento ao qual ele podia apenas reagir, e isso ele fez de forma positiva. A razão disto foi certamente uma profunda, mas não tão visível concordância do Nacional-Socialismo com sua filosofia, percebida por ele. Em “Ser e Tempo” não aparecem de forma alguma termos como povo, nação ou raça. Sendo assim, sua adesão ao Nacional-Socialismo foi uma surpresa. Porém, simultaneamente temos uma mudança contra o endeusamento do ser humano como senhor do mundo e o reatamento à origem natural. Heidegger é muito apegado à pátria e também rejeitou ir a uma grande universidade. Portanto ele aderiu ao clima nacional-socialista e confiou em Hitler.

Der III. Weg: Dois ou três anos depois da tomada do poder de 1933, se encerraram as atividades políticas de Heidegger, ele concentrou-se exclusivamente em seu trabalho filosófico, mas permaneceu membro do NSDAP. Heidegger estava decepcionado pelo fato de seus planos não terem sido executados completamente. Ao mesmo tempo, por exemplo, ele ministrava aulas sobre “Nietzsche sobre ‘raça’ e ‘reprodução'”. Após o fim de suas atividades políticas, Heidegger permaneceu ainda nacional-socialista, pode-se ainda denominá-lo um filósofo nacional-socialista?

Angelika Willig: Para Heidegger, a filosofia terminou com Nietzsche, às vezes ele dizia que teria até “morrido” com ele. Quem se ocupava posteriormente com a filosofia, estaria revolvendo um cadáver. Exatamente isso fez Heidegger de forma “brilhante”. Através do Nacional-Socialismo, ele pegou a chance para largar o cadáver e se ocupar com algo vivo. Mas após um curto período ele não se sentiu mais à vontade e retornou à filosofia que julgava estar morta. Desta forma, não existe nenhum filósofo nacional-socialista e não pode haver nenhum, pois o Nacional-Socialismo surgiu após a era da Filosofia e se lastreava nas ciências naturais. De certa forma, Heidegger era “muito velho” (embora tenha nascido no mesmo ano que Adolf Hitler), que se pode notar quando ele ataca a metafísica da filosofia, mas defende imediatamente estas antigas forças contra a ciência natural e a técnica.

As aulas sobre Nietzsche dos anos 30 e 40 devem ser consideradas como crítica ao Nacional-Socialismo. Termos como “raça” e “reprodução” são utilizados por Heidegger de forma negativa, pois ele vê ali a “autorização do ser humano”

Der III. Weg: Principalmente após a publicação de seu “livro negro”, Heidegger é acusado juntamente por sua participação no Nacional-Socialismo, de ser também antissemita. Mas ele também teve um caso com sua aluna judia (e posteriormente filósofa) Hannah Arendt. Como isso pode ser explicado?

Angelika Willig: Mais importante ainda é seu relacionamento com o judeu Edmund Husserl, onde Heidegger foi aluno e assistente em Freiburg. Ambos se situam nos anos 20. A solução do enigma reside no fato de Heidegger nunca ter sido um antissemita, mas sempre rejeitava um determinado e disseminado comportamento espiritual judaico, e quem não o possuía, Husserl e Arendt estavam no mesmo comprimento de onda que ele, não eram considerados judeus. Além disso, Heidegger rejeitava toda abordagem biológica. É conhecida sua frase: “A ciência não pensa”, e se referia principalmente às ciências naturais, contra a qual ele alimentava uma certa arrogância. Heidegger nunca se conformou, da época quando era reitor, de ter dispensado dois professores, pelo fato de serem judeus. Esta perspectiva de ver as coisas lhe era estranha, mesmo xingando recorrentemente os “jornais judaicos” etc.

Extraído do site Der III Weg.

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Este texto foi publicado em 22/02/2017 por and tagged , .

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